Já repararam o que faz a vossa criança quando está a ver televisão? Prestem-lhe bem atenção e vão perceber que ela não faz… nada! Está apenas sentada a olhar para imagens que mudam de 1 a 5 segundos. É uma sequência de “piscar” sem fim.

Acham que a vida real também é assim? Que também muda de segundo em segundo?!

Só o facto de a criança poder passar muitas horas sentada a assistir a programas televisivos, isto de forma repetitiva entenda-se, impede o seu desenvolvimento saudável independentemente do que esteja a ver. Porquê?

Porque a criança, para desenvolver o seu potencial de qualidades humanas, tem necessidade que se lhe proporcione um ambiente que a estimule, que a leve a fazer as suas próprias experiências, que a active, que a ponha a “mexer-se!”.

Ao estar, como disse, de uma forma repetitiva, sentada frente à televisão a criança não utiliza o seu potencial quer seja ele psicomotor, sensorial, verbal, intelectual, criativo, social ou emocional de forma adequada.

Não se pense pois, que este tipo de “babysitterismo” moderno ajuda a criança em alguma coisa, e muito menos os pais que, ignorando, estão a contribuir para criar na criança em desenvolvimento psíquico, futuros problemas que podem vir a ser graves. Ou, mais concretamente, os pais pensam que têm paz ao “atirar” a criança para o sofá a ver televisão mas, mais tarde, irão, provavelmente, pagar esta “falsa-paz” de forma muita cara.

É preciso que se saiba que a criança vai ter dificuldade em se entreter sozinha, começa a queixar-se que não tem nada que fazer, vai ficar, cada vez mais, dependente dessa “caixa-preta” e, como em qualquer dependência, a sua auto-confiança e a sua auto-estima vão estar comprometidas. É, assim, essencial estabelecer limites quanto ao tempo que a criança pode passar em frente ao “pequeno écran” para minimizar o efeito de dependência.

A criança precisa de se mexer, de brincar, de imaginar e de fingir situações da vida real; não estar a maior parte do tempo sentada! Mesmo em casa estas actividades devem acontecer. A criança tem mesmo que BRINCAR! Notem que “ver televisão” é uma situação passiva. Direi mesmo que, quanto mais tarde a criança começar a vê-la, melhor para ela!

Irei até mais longe dizendo que a criança, enquanto não souber ler razoavelmente bem, não tem, do ponto de vista do desenvolvimento psíquico, nada a ganhar com o ver televisão horas a fio. Antes pelo contrário!

Há que inverter esta situação… reparem que, por exemplo, cada vez menos as crianças gostam de ler (ponto importante a ser analisado num próximo post do nosso blog) e que as dificuldades para aprender são de todo o tipo e por aí fora. Não terá também o fenómeno da televisão a sua quota-parte nisto?

Pais, pensem em tudo isto! Dúvidas? A COE está ao vosso dispor para as dissipar!

Os comentários acima expostos surgiram ao ler-se o artigo “A Televisão tornou-se numa Baby-Sitter?” do pedopsiquiatra Pedro Strecht publicado na IOL-Mãe.

António Valentim, Psicólogo Clínico da COE