Desconheço o título deste poema.
Encontrei-o, por acaso, num dos muitos folhetos informativos electrónicos que recebo. Achei-o, simplesmente, verdadeiro!
Partilho-o aqui.
Vivemos num mundo de contrastes, porque somos feitos de contrastes.
Capazes das maiores crueldades – falo de mim, não dos outros.
Capazes de espanto, perdão, sonho e compaixão.
Crianças que morrem à fome; crianças obesas porque não sabem comer.
Crianças que não vão à escola; crianças que não têm tempo para ser crianças.
Crianças violentadas; crianças violentas.
Crianças vestidas de trapos; crianças que fazem birra porque a roupa de marca foi para lavar.
Crianças adultos antes do tempo; adultos cegos pelo sucesso a qualquer preço.
Crianças que já não sabem perguntar; adultos que afirmam certezas maduras como punhos.
Crianças sérias; adultos que não sabem ser crianças.
Crianças stressadas; adultos sem tempo.
Criança precisa sujar-se na terra, subir às árvores e partir a cabeça.
Mas como, se é um bem escasso em vias de extinção; ou não?
Saber ler, escrever e contar e de cor poemas e tabuadas recitar – é muito bom.
Mas também saber pensar, questionar, duvidar, sugerir, contribuir…Ser cidadão já, com responsabilidade e autonomia…
Livrem-me, por favor, da escola que prepara para os dias de amanhã.
Quero viver hoje; ser feliz hoje; mudar o mundo, já…
E ter muito tempo para brincar, errar e rir… porque sim.
Secundino Correia (in Bica on-line nº 55 Maio 2008 -2ª Quinzena)
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