Ocorreu-me escrever este artigo, quando me foi contado uma situação de agressão verbal passada entre o aluno e um representante de uma escola. A acção girava na imposição de que o aluno tinha de tirar o chapéu se quisesse entrar no edifício escolar.

Sabemos que em todos os estabelecimentos de ensino há normas disciplinares que normalizam, entre outros, o uso do vestuário. Porém, as situações vão mudando ao longo do tempo e numa época em que o chapéu/gorro é também adorno utilizado por dezenas de personalidades mediáticas mesmo em funções públicas, não será descabido perguntar se não será altura de ser revista esta norma, pelo menos em relação às escolas, até porque há um factor importante a nível psicológico para o jovem. Refiro-me à auto-confiança! Quem nos garante que o aluno ao usar o chapéu/gorro apenas o faz porque se sente mais confiante para colmatar uma segurança interior? Ou seja, uma necessidade de auto-confiança que faz parte integrante desta faixa etária em grandes transformações, não só a nível físico como também a nível psicológico.

Como se constitui a auto-confiança? A auto-confiança apoia-se na imagem que temos de nós próprios e que é uma das principais fundações da construção do nosso psiquismo, iniciando-se nos primórdios da nossa infância com o amor que recebemos a par e passo com o desenvolvimento, com a satisfação das necessidades de ordem psicológica e que continuam durante a adolescência mas de um modo diferente.

O jovem, durante a fase da adolescência, alterna momentos de alegria e de entusiasmo com momentos de tristeza e de ira, atravessa uma profunda restauração identificadora que pode levar a destabilizar qualquer adulto. E este facto, enquanto adultos dever-nos-á preocupar? Não deve, porque é apenas uma fase transitória! Será mais conveniente ajudar o jovem na construção da sua identidade.

Para uma sólida identidade e uma personalidade saudável, na idade adulta, o jovem precisa de se diferenciar dos adultos, que pertencem a um mundo que ainda não é totalmente o dele. Procura desligar-se da sua dependência em relação à família e ao mundo adulto para ser o mais autónomo possível, para conseguir criar futuras relações equilibradas. Mas por agora, ele vai opor-se, o que explica a sua procura de algo original, de fora do comum, ou até, de querer seguir alguma tendência da moda para se distanciar do mundo dos adultos, por exemplo: o caso do chapéu/gorro. Ao usá-lo pode não estar a fazê-lo por desrespeito pelas normas instituídas, mas sim, para se sentir mais confiante. Não vale a pena criticá-lo por isso. Pode ser uma das várias formas que o jovem encontrou para facilitar a construção da sua identidade, para ser um indivíduo único e distinto dos outros, para restaurar a sua nova imagem de si próprio e, desta forma, sentir-se mais seguro para se avaliar de forma positiva (A COE pode elucidar sobre esta situação).

Por isso mesmo, evite-se o mais possível o conflito directo com acusações que poderão torná-lo ainda mais inseguro. Deve ter-se com ele uma comunicação verdadeira para o fazer sentir-se mais compreendido e também para o conhecermos um pouco melhor.

Tenha em conta que é importante ter presente que a auto-confiança se incute no indivíduo logo desde a infância, através dum conjunto de atitudes manifestadas pelos pais e por todos os adultos em geral que convivem com crianças. E é assim que a auto-confiança se vai construindo!

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António Valentim