Aqui partilho um pots, uma reflexão ou um documento destinado a todos aqueles que se interessam verdadeiramente pela mudança deste sistema educativo ultrapassado, caduco , incongruente, desrespeitador, … que temos.
Temos consciência que:
- os métodos tradicionais de ensino (fundamentalmente expositivos), que continuam a ser desenvolvidos nas escolas, utilizados na disciplina de Educação Física (e não só!), não estão a respeitar os princípios biológicos, pedagógicos e as necessidades psicológicas das crianças e dos jovens?
- o sistema educativo e as escolas não garantem as condições mínimas necessárias para que os alunos possam adquirir as competências que lhes são exigidas?
- a carga horária é extremamente reduzida para assegurar a aprendizagem de um conjunto de matérias representativas das diferentes actividades físicas, promovendo o desenvolvimento multilateral e harmonioso do aluno?
- andamos a exigir e avaliar os alunos sem que lhes sejam dadas as condições mínimas para aprender?
- pouco ou nada estamos a contribuir para o aumento da motivação dos nossos alunos (e futuros adultos) para a prática da actividade física?
- toda a actividade de carácter competitivo (em que se baseiam os programas nacionais da disciplina de Educação Física) em nada contribui para o desenvolvimento da cooperação, da auto estima ou para a construção de uma personalidade equilibrada?
- é impossível desenvolver as atitudes contempladas no Caderno “Competências Essenciais do Currículo Nacional do Ensino Básico”, como por exemplo, a iniciativa, a cooperação, a solidariedade, a ética, a consciência cívica, o respeito, a aceitação das diferenças, …, com recurso a práticas educativas focadas, fundamentalmente, em sistemas de controlo e avaliação, no chegar, no resultado, no modelo de referência imposto (sucesso)?
- é impossível os alunos desenvolverem capacidades como a autonomia, a motivação, a criatividade e a liderança se as práticas educativas continuam a ser essencialmente expositivas e impostas?
- …
Convido-o a ler, a analisar, a reflectir e a comentar sobre o documento “Das incongruências na disciplina de Educação Física a uma outra metodologia de intervenção pedagógica!” e, quem sabe, todos juntos possamos contribuir para a construção de outras práticas, de outras formas de educar ou de outras formas de nos relacionar!
Obrigado Dina pelo teu oportuno comentário. A necessidade de autonomia diz mais respeito aos pais do que propriamente aos professores apesar de ela também ter a sua importância nas aulas. De um modo geral, pois depende de muitos factores, a autonomia vai-se atribuindo à criança à medida que esta vai crescendo, tendo em conta o seu nível de maturação mais ainda do que a própria idade e das competências adquiridas. O que posso acrescentar ainda, e que certamente já aplicas, é o lidar-se com a situação nas aulas de forma positiva, deixar que os alunos façam as suas escolhas dentro dos objectivos pretendidos, demonstrar-lhes respeito pelo esforço que fazem, e, mesmo que falhem, incutir-lhes o sentirem-se satisfeitos pelo esforço que fizerem mas sempre sem os humilhar, respeitando e aceitando o que eles possam estar a sentir pelo “falhanço”. Da mesma forma é essencial incentivá-los a procurar, por eles próprios, as respostas às questões que surgem na sala de aula ou mesmo no seu dia-a-dia, dando-lhes tempo suficiente para pensar e evitar apresentar-lhes logo a resposta.
Ainda em relação aos pais vou, proximamente, apresentar vários artigos intitulados “Como fazer para a criança/jovem alcançar a sua autonomia?” Esta autonomia é, infelizmente, muitas das vezes bloqueada inconscientemente por falta de acesso à informação necessária.
António Valentim
Psicólogo Clínico