É espantoso! Com tanto conhecimento actual sobre o desenvolvimento psicológico das crianças e dos jovens ainda são poucas as entidades que investem na prevenção do suicídio dos mesmos. Nos últimos anos, segundo o psiquiatra Carlos Braz Saraiva, dos Hospitais da Universidade de Coimbra, as tentativas de suicídio entre os jovens têm vindo a aumentar defendendo este clínico mais iniciativas para a prevenção do suicídio (IOL Portugal Diário, 4 Outubro 2008).
Muito embora haja acompanhamentos especializados após tentativas de suicídio e técnicos de intervenção da crise, é indispensável um sistema de prevenção que promova o que realmente as crianças e os jovens necessitam durante todo o seu desenvolvimento, sem cair no “facilitismo”, para estarem minimamente bem com eles próprios. É corrente ouvir-se dizer: “como é que foi possível ter cometido tal acto, um jovem a quem nada lhe faltava”. Mas será mesmo assim? Não lhe faltava mesmo nada?
Com a justificação de que o suicídio é um fenómeno complexo, demasiado complicado, que tem a ver com factores genéticos, biológicos, psicológicos, sociais, até mesmo factores geográficos e que exige esforços conjugados de várias especialidades de forma a evitar os riscos decorrentes de uma visão limitada da realidade, continua a haver uma certa falta de iniciativa, de coragem, de visão mais larga sobre o conhecimento humano para se investir mais nesta prevenção.
A COE tem vindo a desenvolver, nos últimos tempos, várias actividades que informam e sensibilizam sobre o que os adultos, próximos de crianças e de jovens, necessitam saber para os ajudar no seu desenvolvimento psíquico saudável. Da mesma forma, esclarece de como pôr em prática métodos, sem serem uma dor de cabeça para o adulto, para que se alcance um equilíbrio psíquico adequado que possibilite aos jovens enfrentarem os desafios da vida, incluindo os da fase de transição da adolescência. Quando o jovem alcança esta fase de grandes mudanças biológicas, psicológicas e sociais minimamente equilibrado, a sua tendência para atentar contra a sua vida é muito mais reduzida apesar de poderem estar presentes factores genéticos, sociais ou geográficos subjacentes ao suicídio.
É melhor investir pouco tempo, mas que este se torne em muito para o futuro das crianças/jovens, do que ter que lamentar bastante depois por causa de um tremendo acto que possa ocorrer apressadamente.
Resumindo: haja prevenção para que estas situações dramáticas possam ser reduzidas o mais possível procurando dar ajudar no sentido de que o equilíbrio psíquico venha a implementar-se desde muita tenra idade.
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