Continuando com este tema sobre a autonomia não posso deixar de colocar esta pergunta: Criará a violência nos meios de comunicação uma apetência para que as crianças/jovens tentem praticar o mesmo? Muito embora a minha resposta possa “chocar” algumas pessoas ela é… não! Mas para isso é preciso que se saiba como apoiar e como distanciar as crianças/jovens daquilo que vêem. E… não é assim tão complicado! Vejamos então.
Também neste caso o acesso à autonomia passa pela capacidade de ajudar a criança a saber lidar com o que vê. Isto é importante porque o impacto das imagens que possam vir a ser visualizadas por uma criança não tem a mesma intensidade emocional que num adulto. Então como é aconselhável actuar? Proibindo a visualização?
Vejamos, proibir-se as crianças de assistirem a certos e determinados programas de cariz violento requer uma certa “astúcia”. Sobretudo, evitar dizer a “velha” e “costumada” frase: isto não são programas para tu veres agora, só quando fores maior. Se o dissermos corre-se o risco de agudizar mais ainda a sua curiosidade e de querer vê-los às escondidas, o que ainda é pior.
Desta forma, e tranquilamente, deve-se explicar à criança que não é bom que assista a este tipo de programas acrescentando-se que até mesmo para eles, pais, também não são agradáveis de ver porque se revestem de grande violência e que eles também se sentem mal. De uma forma geral, este tipo de esclarecimento transmite à criança confiança, permite ganhar consciência da violência das imagens e sentir vontade de se distanciar delas.
Pode, porém, acontecer que a criança esteja a ver programas ou reportagens violentas na presença dos pais e então, nesta situação deve-se perguntar-lhe se ficou assustada ou se teve medo e, principalmente, o que é que ela percebeu daquilo que viu e procurar que se sinta tranquila.
Todavia é compreensível que ao fim de um dia de trabalho, os pais possam não sentir disposição para pôr estes conceitos em prática, mas incentivo-os a que o façam de vez em quando, e se puderem o mais possível, pois estão a contribuir para um desenvolvimento psíquico saudável da criança que se irá reflectir no comportamento em casa e não só.
A título de complemento e já no patamar dos jovens a adesão a filmes/jogos violentos permite-lhes representar mentalmente o mal-estar que estão a viver, dando assim um sentido ao mesmo. Há cada vez mais estudos que indicam que as crianças/jovens que se encontram minimamente satisfeitos psicologicamente são os que menos apreciam este tipo de entretenimento.
Outro facto importante a ter em conta é o ambiente familiar que se vive durante a visualização de programas violentos. Por vezes os próprios pais acomodam-se a esta situação, que passa a ser banal, não se tendo em devida conta o efeito que pode estar a fazer no jovem, ou seja, não existe espaço para que cada possa falar sobre aquilo que pensa e sobre aquilo que sente em relação ao que está a ver.
É, portanto, fundamental que haja um compartilhar de opiniões, porque ao se proceder assim é mais um outro factor que favorece a construção da autonomia para se conseguir ser um indivíduo capaz de lidar com o que vê, capaz de distinguir a realidade da ficção.
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