Todos experimentámos já experiências de não inclusão: ficar de fora, não ser desejado, não se sentir enquadrado.

Apesar de ser uma experiência humana que toca a todos, há grupos particularmente vulneráveis: pessoas com deficiências, pessoas provenientes de outras culturas, pessoas com dificuldades económicas, emocionais, relacionais ou comportamentais. Porém, se pararmos para pensar, todos pertencemos ou podemos vir a pertencer a qualquer um destes grupos com risco acrescido de exclusão. Se imigramos, se partimos uma perna, se nos sentimos perdidos face uma nova tecnologia ou política educativa, se somos afectados por um terramoto emocional ou uma doença psíquica. Os grupos vulneráveis não são os outros, somos todos.

Por isso a inclusão diz respeito a todos e a cada um.
As melhores práticas inclusivas envolvem todos, planeiam tendo em conta as diferenças, anteci pam as necessidades, lançam pontes ágeis quando alguém fica desgarrado, está com problemas ou não responde de acordo com o próprio potencial. Todos precisamos ser incluídos: professores, pais, alunos, auxiliares, técnicos de apoio.

A inclusão não é proporcionar a todos as mesmas experiências; algo que tem a ver apenas com as necessidades educativas especiais; um monte de papelada, relatórios e programas individuais.

Inclusão é celebrar a individualidade; valorizar a contribuição e pontos de vista de todos; considerar a própria cultura e as culturas dos outros; proporcionar experiências de aprendizagem flexíveis.

Para os professores a inclusão implica: uma prática reflexiva; uma compreensão contextual da própria escola; o conhecimento das necessidades dos alunos; uma escola organizada em função dos alunos e das necessidades da comunidade escolar.

A inclusão é uma componente essencial de “uma boa educação”.
É um processo, não um fim. É um ciclo reflexivo que provoca ajustamentos sucessivos conducentes a uma escola cada vez mais inclusiva. A escola inclusiva compreende que alguns para se sentirem incluídos precisam de escolas especiais e cria estratégias para incluir essas escolas.
É um desafio para o desenho curricular e para a gestão escolar.
A inclusão exige visão, liderança, autonomia, recursos e a participação de todos.

Secundino Correia in Newsletter BICA 63 - Outubro 2008 (1ª quinzena)


“Toda a criança possui características, interesses, habilidades e necessidades de aprendizagem qu e são únicas… Os sistemas educacionais deveriam ser desenhados e programas educacionais deveriam ser implementados no sentido de se levar em conta a vasta diversidade de tais características e necessidades.”
Declaração de Salamanca (UNESCO, 1994)

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