Por que razão as crianças e os jovens nas salas de aula das nossas escolas cada vez mais manifestam comportamentos perturbadores ou inadequados de indisciplina, desinteresse, violência, desrespeito, individualismo e irresponsabilidade?

(Sugerimos a todos os leitores a lerem o artigo “Como ser, hoje, um professor de sucesso” antes de continuarem a ler o texto que se segue)

Estes comportamentos, que nada ajudam os professores, os pais e os próprios alunos, por incrível que pareça, são naturais. Ao contrário do que a maioria de nós afirma, estes comportamentos não são a causa dos problemas que existem nas escolas. Eles são apenas a consequência.

Surge-nos outra questão… Afinal o que está a causar ou a gerar este tipo de comportamentos nas crianças e nos jovens? Qual é a verdadeira causa? Qual a raiz do problema?

A causa é apenas uma: falta de motivação!

Falta de motivação?! Sim, exactamente, a falta de motivação que é sentida pela maioria dos nossos alunos!

Todos sabemos, quer pela teoria ou pela própria experiência de vida, que sempre que estamos a fazer algo que nos interessa, que nos traz algo que consideramos benéfico ou vantajoso, passamos naturalmente a estar motivados, ou seja, a realizar o que for necessário para usufruir do resultado, do objectivo. Passamos a estar empenhados, interessados e atentos, somos respeitadores e disciplinados, colaboramos, etc.

Vejamos um exemplo.

Imaginemos um jovem que gosta imenso de jogar futebol e participar em competições desportivas. No entanto, ele sabe que para jogar tem de melhorar pelo menos duas grandes competências: finalizar os golos com remates longos e realizar cabeceamento em situação de jogo. Conhece, igualmente, que no seu clube, onde pratica futebol, o treinador é especialista. Assim, este sabe como pode ajudar o seu atleta a desenvolver tais competências que são preponderantes para que continue a participar nos jogos. O jovem também sabe que precisa dos colegas da equipa para desenvolver estas competências técnicas.

Porém, será que ele irá… desrespeitar o treinador, estar constantemente fora das tarefas propostas, perturbar e violentar os colegas, desconsiderar os funcionários do clube, destruir material de treino, chegar atrasado ou faltar aos treinos, ser individualista no seu processo de treino e aprendizagem, …?

Claro que não! E porquê? Porque está motivado! E quem está motivado não surge constantemente a gerar comportamentos perturbadores.

E será possível criar este tipo de motivação nos alunos dentro de uma sala de aula, onde eles próprios não têm opção de escolha relativamente ao professor, às disciplinas, aos conteúdos e aos colegas de turma que têm?

(Convidamo-lo também a ver o artigo “Receita pra comer queijo”, adaptado de Ruben Alves)

Associada a estas condicionantes existe uma “infinidade” de outras. A título exemplificativo, ouvimos, frequentemente, dizer que é da responsabilidade do Governo a desmotivação dos alunos, quer devido à implementação das suas políticas educativas, quer devido às condições de trabalho dos professores que necessitam ser urgentemente alteradas e revistas. Murmuram-nos, também, que os pais são os principais responsáveis pelo estado das crianças e dos jovens. Não poucas vezes, são também os meios de comunicação colocados no centro da “bandeja”. Apontam-nos de terem uma influência demasiado negativa na motivação dos jovens para a escola, bem como no processo de desenvolvimento equilibrado das suas personalidades ainda em construção.

Não existe qualquer dúvida que os nossos governantes, os pais, os meios de comunicação, a internet, o excesso de materialismo e consumismo, os estilos de vida, o desenvolvimento económico, a falta de opções de escolha dentro da escola pelos alunos, etc., são amplamente responsáveis pela realidade que se vive nas instituições escolares. Sabemos, actualmente, que estas são algumas das causas que geram a desmotivação, directa e indirecta, das nossas crianças e jovens.

Sabemos, igualmente, que a problemática da falta de motivação não é exclusiva das escolas. É, também, um problema de ordem social e cultural. Subsiste em todas as classes sociais e em todas as actividades profissionais.

Apesar destas e de tantas outras condicionantes, ou influências “negativas”, com as quais um docente se depara, será que existem meios, estratégias ou formas de fazer, que estejam ao alcance dos mesmos, que contribuam, efectivamente, para o aumento da motivação nas escolas, mais concretamente, dentro das salas de aulas?

Definitivamente, sim! Actualmente, existem soluções práticas e eficazes, resultantes de investigações teóricas e experiências ou aplicações práticas, que se encontram ao alcance de qualquer um e que geram, realmente, alunos mais motivados dentro da sala de aula!

É necessário sermos, também, detentores de outra verdade: existem factores ou variáreis nas nossas vidas que controlamos e outras que não controlamos. E quando falamos na motivação dentro da sala de aula temos de ter presente esta realidade. Caso contrário estaremos, também nós professores, sujeitos a sintomas de desmotivação, stress negativo ou, mais grave, a situações de depressões clínicas.

Por exemplo, um professor não pode mudar as políticas educativas, não pode mudar os programas escolares, não pode mudar a educação a que os seus alunos estiveram sujeitos desde que nasceram, não pode escolher apenas os alunos de que mais gosta, não pode construir as suas turmas a seu gosto, não pode escolher o número de turmas que gostaria de ter, etc, etc. Todas estas são variáveis ou factores que não são controláveis pelo professor mas que têm um influência directa e indirecta sobre a motivação dos alunos. Aqui, o professor precisa ter consciência que nada pode fazer. Apenas pode constatar esta realidade e relaxar quanto a isto. Se a sua preocupação ou intenção, enquanto professor que procura motivar os seus alunos, for a de tentar criar mudança sobre aquilo que não está ao seu alcance, do que não é por ele controlável, vai gerar-se frustração, mal-estar e desmotivação pessoal e a motivação dos alunos continuará igual ou ainda pior.

A solução que apresentamos, equipa de Formadores e Professores da COE, para que a motivação dentro das salas passe a ser uma realidade, centra-se em trabalharmos nos factores ou nas variáveis que estão ao nosso alcance. Estas são todas as que dependem apenas de nós enquanto professores dentro da sala de aula. Cada professor tem de ter presente que só pode motivar trabalhando no que está ao seu alcance, naquilo que é capaz de controlar.

É neste sentido que toda a metodologia que a COE desenvolve e que aplica nas escolas (e não só), em especial dentro do espaço de aula, se baseia, exactamente, neste ponto: cabe a cada profissional aprender e desenvolver um conjunto de meios, estratégias ou competências, que estão ao seu alcance, e que contribuem efectivamente, para o aumento da motivação dentro do espaço de aula.

Neste e nos próximos artigos que iremos publicar, demonstraremos que é possível um professor motivar positivamente os seus alunos no espaço de aula, mesmo em turmas que, inicialmente, são mais problemáticas ao nível do comportamento. Apresentaremos técnicas concretas, práticas e eficazes a utilizar dentro da sala de aula através das quais os problemas perturbadores, que são a consequência e não a causa da falta de motivação, diminuirão ou se dissiparão por completo no espaço de aula!

Sendo assim, lançamos agora algumas questões mais profundas que serão respondidas nos vários artigos que iremos continuar a publicar neste Blog:

  • O que está, verdadeiramente, na origem da falta de motivação que se manifesta em comportamentos perturbadores ou desadequados por parte das crianças e jovens?
  • O que está por detrás da motivação? O que é que falta ou o que cria a motivação?
  • O que se pode fazer, na prática, que já esteja efectivamente comprovado, e que contribua para o desenvolvimento dessa motivação?

Entretanto convidamo-lo a participar na próxima Conferência que iremos dar sobre esta temática >>>

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