O maior problema das escolas degradadas não são os tectos a ruir, as paredes com humidade, ou a falta de aquecimento. Ou melhor, esses são problemas sérios, mas a sua solução não pode seguir apenas uma lógica de obras públicas.
O verdadeiro busílis é que o desenho arquitectónico e funcional de uma grande (?) percentagem das nossas escolas assenta em concepções herdadas do século XIX. Reparar e reabilitar estas infra-estruturas pode ser um tiro no pé, prolongando, mais umas décadas, espaços de aprendizagem inadequados aos desafios da aprendizagem do mundo que estamos a construir.
A maioria dos edifícios escolares assenta no conceito de sala de aula, como espaço de 4 paredes, uma com janelas, onde se fecha um grupo de crianças, adolescentes ou jovens com um adulto, durante umas largas horas por dia para serem bem educados. Um pai, um aluno de outra sala, um outro professor, ou mesmo um telemóvel que ousem invadir este espaço sagrado causa embaraço e confusão.
No tempo em que nos movemos, não será que a verdadeira aprendizagem acontece quando nos envolvemos em projectos com significado, quando trocamos ideias com os nossos pares um pouco por todo o lado, quando realizamos pesquisas autonomamente, quando encontramos tempo para sermos criativos, quando o nosso pensamento crítico tem espaço para florescer, quando há liberdade para trabalhar afincadamente em assuntos difíceis que nos desafiam até ao limite?
Em tempo de férias é bom aproveitar para lavar a cara às nossas escolas, tornando-as mais acolhedoras, mas é também tempo para repensar o desenho dos espaços escolares. Talvez derrubar algumas paredes seja importante, mas mais importante será derrubar as barreiras que nos impedem de trabalhar em equipa; os arquétipos que nos toldam a visão do futuro; as normativas que nos amarram a estruturas que já não podem dar o que prometem.
Enquanto agradecemos os dons do sol, da água e da terra, aproveitemos também para imaginar uma escola com outro desenho, outros espaços, outros tempos, outras dinâmicas: democrática e plural… um autêntico espaço de afirmação da cidadania de todos e de cada um.
Secundino Correia in Newsletter BICA 81- Julho 2009
Porque o nosso Sistema não vê isso, porque não dão prioridade a esducação?
Quantos dos nossos jovens perdidos? como dói tudo isso. O que estão esperando?