Saímos das Escolas pensando sermos detentores de conhecimento ilimitado! Pura utopia! A realidade do dia-a-dia mostra-nos o contrário! Somos constantemente bombardeados com problemas para os quais o ensino não nos preparou. E, a verdade, é que na maior parte das vezes, não temos solução para estes problemas.
É caso para dizer: “Onde está o problema?”
Não sei bem! No entanto, a minha opinião, e pelo que me apercebo não está isolada, é que somos, durante muito tempo, convencidos com a ideia de que para sermos bem sucedidos temos de “empinar” o maior número de conhecimentos possível! “Obrigam-nos” a sermos meros repetidores de conhecimentos e técnicas que, embora por vezes importantes, são falíveis e nem sempre úteis!
Se ao menos nos apercebêssemos que tão ou mais importante do que adquirir estas competências é desenvolvermos a nossa criatividade, talvez as dificuldades que encontramos aquando dos nossos primeiros contactos com o mundo do trabalho, ou até naquelas do quotidiano, fossem dissipadas!
O documentário que se segue aborda, exactamente, este tema. Valerá a pena dedicar uns segundos do nosso tempo para com ele reflectirmos.
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Há problemas e problemas… se os problemas estiverem no âmbito de pessoas viciadas em drogas, etc… teria que haver uma acção muito mais concertada para os ultrapassar e isso exige muita vontade social REAL. Exige TRABALHO, de preferência manual na terra, arte, etc… com pessoas em nº suficiente de forma a haver maior proximidade e vigilância, sem ser essencialmente coactora, mas atenta e dialogante… e persistente.
Há problemas ao nível das escolas, que poderiam apresentar maior sucesso, até com medidas do tipo que atrás referi… trabalho manual e pessoas em nº suficiente para supervisionar, incentivar, conversar, etc…Trabalho dentro das escolas de limpeza, jardinagem, etc…porque penso que o problema da juventude é o tédio… ou por abandono e balda das famílias, ou por protecção excessiva, ambas impedindo a participação dos filhos nas lides familiares… arrumação, limpeza, agricultura, jardinagem,etc… criança de quem não se aceita a colaboração desde pequeno é criança que não se sente pertença da família e acabam por viver entediados e viciados em frente de computadores e televisão.
Quando os problemas são humanos, tem que se jogar com uma infinidade de jogos e tramas de ordem psicológica.
Agora, o que importa é evitar situações limite que desencadeiem travões complexos.
Desde sempre, que o início da cada actividade é insipiente… a bagagem teória não basta, é preciso acção e isso falha muitas vezes. É no terreno que se vão aplicar/experimentar conhecimentos… aproveitar uns… deitar fora outros.
Quando fala em empinar é preciso ter cuidado… a memorização é muito importante para o desenvolvimento intelectual. Não é aí que está o problema. O problema é que as escolas de formação, grande parte das vezes, está repleta de teóricos que muitas vezes pouco tempo estiveram no terreno… é-lhes exigido mestrados e doutoramentos, quando, no meu entender, se deveria exigir VIDA PASSADA… experiência… e depois suas aulas, são meros espaços de ocupar horário, porque muitas das vezes são pessoas marronas que empinaram as matérias, mas não têm ousadia e AMOR pela vida… fora do seu quintalzinho, nada interessa e arrogantemente sentem-se superiores intelectualmente… e isso da superioridade intelectual não interessa nada, se na VIDA não tiver utilidade prática.
Sabemos que há pessoas geniais, cujas ideias criativas ultrapassam o comum dos mortais e que nada nem ninguém impedirá de avançar, porque é uma necessidade como que compulsiva de experimentar, mas há as ditas pessoas normais…
Uma coisa que esquecemos muitas vezes, a criatividade não cai do céu… esquecemos que nosso cérebro é tipo um computador que quanto mais dados tiver instalados, melhor corresponderá ao trabalho que dele exigimos. Ora ninguém é criativo, porque sim. É-se criativo, quando há desenvolvimento intelectual e acção sem medo. Para haver um cérebro criativo, tem que haver VIDA… ISSO LEVA AO INTERESSE e só com interesse e amor pela vida, poderá haver criatividade real. Podemos desenvolver uma criatividade técnica com o incentivo tecnológico, mas precisamos de uma criatividade mais abrangente… precisamos de pais criativos, de professores criativos, de psicólogos criativos, advogados, de médicos e etc… criativos… enfim, precisamos de viver a criatividade no dia-a-dia da vida, para sentirmos que as pessoas se interessam, amam. Normalmente a criatividade tem como motor a ALEGRIA DE VIVER sem medo.
O problema não está nas regras, que este senhor Mário Persona aborda, como podendo ser limitativas da criatividade… não… as regras são importantes… são o motor da paz… sem elas não haveria ambiente para criar, a não ser coisas de guerra. O problema é, exactamente, não haver regras claras para uma democracia real. O problema é haver regras grupais que violentam e castram irremediavelmente. Hoje, mais do que há anos atrás, as crianças desde cedo, começam a viver o MEDO de ir para a escola mal vestido… medo de ser gozado se não beber ou fumar… medo de parecer “betinho”… medo de levar lanche ou lancheira com almoço (nem imaginam a quantidade de lanches deitados à rua, perto das escolas), medo de comer coisas saudáveis, indo para pizzarias e coisas que tais comer… só para ser aceite, medo de mostrar que é pobre e que não tem telemóvel xpto, ou computador, ou coisas assim. O problema é a violência que se vive entre os pares jovens, sem que ninguém faça nada e vendo nós os pais incentivando este tipo de coisas. Eu sei de pessoas que ganham um magro salário, mas que mesmo assim pensando que estão a fazer bem, gastam o que podem, e até o que não podem, para seus pimpolhos parecerem modernos e para que sejam aceites por seus pares.
É aqui que se encontra o problema. As pessoas em vez de investir numa educação saudável, pondo seus filhos em contacto com diferentes situações da vida e de pesquisa sobre diferentes assuntos, estão a investir em roupas, noitadas, bebedeiras e festas de aniversário, desde cedo, fora de suas casas… estão a castrar o futuro do mundo. O alcoolismo está a aumentar seriamente em todo o lado… dramaticamente… bem como a violência, porque os pais é nisto que investem. Começam ingenuamente e depois não há recuo. Investem numa educação balofa, sem constrangimentos que impedem os futuros adultos de saber gerir frustrações, estando a gerar pessoas frustradas, sem capacidade intelectual que ao mínimo constrangimento desenvolvem depressões, acabando muitas das vezes em violência sobre namoradas(os), como hoje tanto se está a assistir, porque estão desequilibrados emocionalmente e não sabem receber um NÃO…
É aqui que está o grande PROBLEMA social que faz as pessoas girar sem rumo… sem AMOR… sem flexibilidade mental, para contornar obstáculos para… SIM, poderem enfim ser criativos no seu dia-a-dia. A criatividade é importante em tudo na vida e temos exemplos gloriosos de pessoas deficientes ou com vidas muito difíceis que conseguiram ter criatividade para vencer… mas são poucos e deles pouco se fala.
É preciso aprender a viver… reflectir sobre o que é importante, para depois podermos avançar sem medos… sem ilusões… sem ideias segmentadas, porque nós somos um TODO complexo… não podemos ser vistos de forma compartimentada, como se umas coisas não tivessem a ver com as outras, tal como fazem, por exemplo, os médicos que tratam por segmentos, sem olhar ao TODO. Muitas das doenças, têm a sua origem em aspectos que os médicos não analisam e aprofundam… tratam-se as pessoas no momento, como fazem os bombeiros… não se vai às causas.