Um dos mais conceituados economistas da nossa “praça” afirmou muito recentemente numa entrevista a um canal televisivo, entre várias matérias de relevante interesse, que não se investe em Portugal e que seria de toda a conveniência investigar, a sério, o porquê deste não investimento. Por meu lado posso dar uma achega e dizer, desde já, que Portugal é um bom país para investidores mal-intencionados! É o lugar ideal para quem quiser enriquecer rapidamente e explorar uma grande parte de um povo que, apesar de todos os exemplos que sobejamente se conhecem, ainda tem bom “fundo” e ainda vai acreditando nas “boas intenções”. Vejamos como!
Um investidor com um espírito aguçado para ludibriar o próximo conseguirá, em poucos anos, não propriamente duplicar o investimento inicial, mas… sejamos modestos, “apenas”, e pelo menos, octuplicá-lo. Para tal terá de ter em conta certos procedimentos que têm muito a ver com o tipo de personalidade destas pessoas, e, como é óbvio, daquelas que eles encontram pelo caminho, por exemplo:
– Tomar muita atenção na forma como faz as “negociatas” para não deixar provas visíveis que possam vir a incriminá-lo, ou, no mínimo, a criar-lhe dissabores.
Mas só por muito azar é que isso poderá acontecer, uma vez que se o for …não há perigo! Basta apregoar aos sete ventos que está a ser vítima de uma “tramóia”, ornamentando esta afirmação com uma boa dose de: “querem prejudicar-me, têm é inveja do meu sucesso”, “que só se pensa em atirar “lama” para quem tem vontade de fazer algo pelo país”, e por aí fora…
– Tenha sempre um bom advogado à “mão de semear”, de preferência bem conceituado, de alto gabarito e profundo conhecedor de como confundir as situações de forma a torná-las tão complexas que ficam sem ponta por onde se lhes pegue.
Agora se as questões forem muito gravosas será melhor contratar um grupo de advogados. O impacto de se estar apoiado por uma sociedade de advogados de nomeada será sempre maior. Recorra a todos os recursos possíveis e imaginários. Se for criativo invente ainda mais complicações e ganhe o mais tempo possível!
Por outro lado, como nem tudo vai bem na “barca” da justiça portuguesa, mesmo fazendo jus ao muito de bom que por lá ainda há e que tenta fazer o seu melhor, o desfecho final do caso, se antes não for abafado por compadrios instalados em variadíssimas áreas, pode arrastar-se até às “calendas gregas”. Isso proporciona ao investidor menos “sério”, na melhor das hipóteses, o tempo suficiente para tirar chorudos proveitos do seu investimento. Mas é importante, entretanto, fazer crer que tudo o que fez foi com a melhor das intenções. Dizendo sempre que tem a consciência tranquila, que a culpa é dos outros. É um tipo de mensagem que o povo, que apesar de tudo continua a ser pacífico, aceita com facilidade.
– Escolha criteriosamente onde investir e, para maior segurança, convém que haja lá alguém bem posicionado para dar uma “mãozinha”.
Claro que vai ter que dividir algum benefício, mas é sempre melhor dividir um certo e determinado “beneficio” e ainda conseguir arrecadar um bom provento, do que não ter nada para dividir.
– Não se preocupe com a transparência do negócio, nem com isso a que a “plebe” chama de moralidade.
Ao fim e ao cabo é uma situação que atinge muitos adultos, por, já desde a infância, terem sido, inadvertidamente, educados para serem hipócritas. Muitas destas “personagens” não estão em lugares cimeiros, por serem competentes. Não! Fazem parte de um “clãzinho”, que tanto pode ser social, como político ou outro, sempre vocacionado para que os ganhos possam ficar na “família”, seja de que forma for. Evidentemente, quero crer, que nem todos os investidores se pautam por este tipo de comportamento.
Mas querem saber algo deveras interessante? Estes comportamentos, à luz da psicologia, já não são novidade. Já têm explicação. Devem-se à falta de saber-se lidar saudavelmente com a criança. Pegando, por exemplo, nos estudos… para quê estudar anos a fio, “queimar as pestanas” para no fim ter o diploma recompensador desse esforço? Venham sim os diplomas mas de qualquer jeito, independentemente da forma como são obtidos, pelo “copianço”, pelos subornos e por aí fora. O que é preciso é ter o “canudo” nas mãos. Quanto mais diplomas melhor, e mesmo que não perceba nada da matéria não faz mal, é preciso é que seja um bom comunicador, isso sim, é importante. É o mínimo que se exige, para mais eficazmente conseguir enganar o “pagode”.
– Além do que já se enumerou, se tiver um perfil agradável e, de preferência, uma carinha de “santinho”, ainda que de “pau carunchoso”, sempre tem muito mais possibilidades de passar melhor a mensagem falaciosa.
É bem sabido que as pessoas, sobretudo nos tempos actuais, dão muita importância à imagem e às aparências. Um burlão bem vestido, numa primeira impressão, é logo classificado como pessoa de bem.
– Ponha sempre a maior parte dos lucros fora do país. Mas vá sempre dizendo que é para o bem do país, que pretende voltar novamente para investir mais…
Continuem a dar ao povo esperança que melhores dias virão e para ter confiança no futuro. Diga que acredita plenamente na boa fé de cada um, que Portugal é um grande pais com muito boa gente. Há tantos adultos em Portugal que, pela educação que tiveram, de terem sido educados com a aplicação de castigos para serem crianças obedientes, sentem-se culpados por tudo e por nada e quando aparece alguém que lhes mostra boas intenções, mesmo que pseudo-boas-intenções, eles deixam-se levar com facilidade. Alguns deste adultos podem ter interiorizado de tal forma o sentimento de culpa que se, em algum momento, começarem a desconfiar de quem aparentemente parece ser tão “honesto”, acabam por se sentirem mal por terem tido essa desconfiança, sentindo-se, eles próprios, os maus da fita.
– Elogie sempre este grande povo com boas maneiras, aproveite-se dele, enriqueça-se e fuja depois, enquanto é tempo! Ou então, deixe as situações tão complicadas para que, quem vier a seguir, e mesmo que este tenha verdadeiramente boas intenções, só se possa “espalhar” e ficar como o mau da fita.
Os elogios, mesmo os que albergam segundas intenções, têm impacto para algumas pessoas, porque vêm ao encontro do que, no fundo, necessitam de ouvir. Foram pessoas que devido à educação que tiveram se encontram mais vulneráveis emocionalmente e acabam, quase sempre, por idolatrar estes burlões ao ponto de os chamar de “chicos espertos” entrando em conflito psicológico com a sua própria educação. Nestas pessoas carentes os mal-intencionados encontram um terreno propício.
Não foi a minha intenção chocar a sensibilidade de certas pessoas com este artigo e muito menos fazer a apologia à desonestidade. Longe disso! O que pretendo é evidenciar a importância de desenvolver nas crianças e nos jovens as suas competências individuas e humanas, para que mais tarde tenham as capacidades necessárias para o exercício de certas e determinadas funções na sociedade, focalizadas não só para o bem comum mas também o pessoal e não, como se está continuadamente a fazer, favorecer o interesse pessoal prejudicando essa mesma sociedade. Estes dois interesses, em conjunto, são possíveis se não se persistir a continuar a formar indivíduos desequilibrados por falta de se saber lidar com as crianças de uma forma mais correcta. Se se teimar com esta politica desatenta e a trouxe-mouxe de se formar os adultos – não tendo em devida conta as necessidades psicológicas das crianças e dos jovens – como é que se pode querer que os futuros indivíduos não venham a ser pessoas mal-intencionadas ou, num outro extrmo, adultos com o perfil de vítima? Digam-me lá, então, como é que se pode esperar que haja uma sociedade mais justa onde os valores humanos e morais sejam as pedras-de-toque? Estes valores, humanos e morais, também não se ensinam apenas numa aula teórica como se pensava antes! O resultado deste ensino teórico conduz a que, mais tarde, muitos indivíduos os utilizem como forma de manipulação do seu semelhante. Estes valores devem ser interiorizados nas crianças no seu dia-a-dia, com aquilo que vão vivendo, mas para que isso aconteça os adultos, perto delas, têm de estar preparados para saber como agir e como reagir com a “rapaziada”. Isto explica porque é que certos indivíduos, sem nenhuns cursos, ou sem nenhumas aulas teóricas de moralidade, são mais “maduros”, conseguem ter valores morais e humanos muito mais apurados do que aqueles que têm cursos superiores e que são até bem falantes.
Em suma, a forma como a criança é educada determina a personalidade do futuro adulto. Se não queremos ser explorados temos que ser educados a ser assertivos. Se não queremos “burlões” as crianças têm de ser educadas de uma forma psicologicamente saudável. Há que estar consciente que não basta só “cama”, “comida” e “roupa lavada” como se pensava tempos atrás. Os cuidados psicológicos da criança, defendidos nos vários artigos da COE, referindo as necessidades psicológicas, são igualmente importantes e são uma forma prática de se alcançar este objectivo.
Não esqueçamos que os futuros adultos são o reflexo da forma como em criança foram tratados. Se queremos também menos violência, inclusivamente a doméstica, deve-se proporcionar à criança o que ela necessita para vir a ser um adulto minimamente equilibrado psicologicamente e integro com o seu semelhante. Toda esta atenção psicológica deve já ser aplicada desde o berço com a forma como mãe, ou em casos mais problemáticos o seu substituto, interage com a criança para evitar que o bebé venha a desenvolver traços de um indivíduo violento. Da mesma forma, outros mal-estares há, que podem ser diminuídos se se agir com as crianças de uma outra maneira, ou seja, se se souber ir ao encontro daquilo que a criança precisa para se construir psicologicamente de uma maneira mais equilibrada.
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Os pais são o exemplo… os pais de um povo são os GOVERNANTES. O problema está ao nível da “pescadinha com o rabo na boca”, ou com a conhecida questão… QUE NASCEU 1º… O OVO OU A GALINHA?
Sem um exemplo, por parte dos governantes… sem justiça, a população continuará a achar mais fácil arriscar actos corruptos… a população somos TODOS NÓS. Depois com a mediocridade instalada, deparamo-nos com pais inseguros que nem sabem como educar seus filhotes. Educar para a honestidade, trabalho, humildade, competência? Para quê, se depois na prática não encontrarão trabalho nem saída?
O que diz aqui é uma verdade… sem equilibro psicológico não haverá pessoas felizes… vingará a violência.
O problema está em convencer pais, antes de começarem a viver vidas infernais com seus filhos… Começar aonde?