Deparo-me, ao fim de 14 anos de experiência de ensino como professor de Educação Física do 3º Ciclo e do Ensino Secundário em Portugal, com alunos cada vez mais desmotivados e desinteressados com as escolas e com o que estas lhes oferecem.

Passam a grande parte do tempo a criticar.

Exigem mudanças: novos métodos, outras matérias, outras formas de avaliação, …

No entanto, constato, por experiência, que a grande maioria dos alunos são eles próprios um dos principais obstáculos à mudança do funcionamento da escola.

Porquê esta incongruência?!

Para explicar o meu ponto de vista decidi realizar mais um documentário sobre esta temática:

Parte 1:

Parte 2:

Arlindo Martins

Vejamos a opinião do Psicólogo da Equipa COE, António Valentim, relativamente a este assunto:

As críticas constantes dos alunos nas aulas, quer se faça ou não qualquer inovação, demonstram, muito provavelmente, o mal-estar no desenvolvimento psicológico em que muitos deles se encontram. As crianças não estão a ser suficientemente favorecidas no crescimento neurológico nas idades chaves. Assim sendo, chegando à idade escolar, elas não se sentem minimamente seguras para se envolverem numa aprendizagem, quer lhes traga algo de novo ou não. Aprender algo, requer aceitar-se que ainda não se sabe e põe em causa o pouco que já se conhece. Se o indivíduo não se sente suficientemente seguro, não consegue estar psiquicamente disponível para se envolver, para assimilar algo de novo, não consegue sentir-se tranquilo nesta passagem pela dúvida que o assalta, não consegue enfrentar o desconhecido com a devida segurança. Desta forma, como defesa para proteger a sua fraca auto-confiança, ele coloca-se na defensiva. Todos nós temos as nossas estratégias, inconscientes, de protecção e de defesa. Um método mais comum é recorrer-se à crítica. Criticar tudo que seja passível de lhe custar energia psíquica.

Nas crianças mais pequenas isso pode não se notar tanto, porque vivem muito ainda no mundo do brincar e do imaginário. Porém, quando elas iniciam o processo de socialização, com o comprimento de regras, de horários, de serem obrigadas a actuarem de uma certa e determinada forma, esta insegurança começa a revelar-se camuflada em várias atitudes ou comportamentos. Mesmo assim, nas crianças mais novas, já deve haver algum indício desta insegurança que se pode constatar na dificuldade em lidar com o sentimento de frustração.

Tal situação vem, mais uma vez demonstrar, a necessidade de os adultos, próximos das crianças, estarem informados e sensibilizados para a forma mais adequada de interagirem com as crianças e quanto mais cedo melhor. Como se alimenta o sentimento de segurança na criança para que ela esteja mais disponível para aprender? Sugere-se que sejam lidos, para este efeito, não só os artigos já publicados sobre as necessidades psicológicas mas também os que irão ser publicados proximamente.

António Valentim

Psicólogo Clínico da COE

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