Estamos, há muito tempo, na Educação, a caminhar de forma “errada”!
O que estamos a fazer de errado? Simplesmente a percorrer caminhos que não nos permitem atingir o local pretendido. É como pretendermos chegar a Londres em 5 horas, estando em Lisboa, e depois apanharmos um comboio para Marrocos.
Na Educação passa-se exactamente o mesmo: sabe-se ou define-se para onde se deve ir (o local de chegada; os objectivos ou finalidades educativas) e depois falha-se redondamente quando se escolhem estratégias ou métodos para lá chegarmos. Quando damos por nós atingimos outros “locais” que não estavam nos objectivos (Ex. falta de interesse, desrespeito, insucesso, falta de motivação, apatia, atitudes conflituosas, competição, injustiça, violência, …).
Com o presente documentário procurei, de forma muito simples, sintetizar as intenções ou os objectivos educativos estabelecidos em diferentes fontes de informação de referência para pais, educadores, professores, etc. O meu principal objectivo, com este documentário, é reforçar a ideia anterior: o nosso problema na educação não está em definir objectivos ou finalidades mas sim, em fazer na prática, uma “educação prática” que, efectivamente, permita às nossas crianças e jovens crescerem de uma forma mais saudável e equilibrada e que adquiram um conjunto de aprendizagens e competências essenciais para a vida.
Quais são as nossas crenças, paradigmas, hábitos, métodos ou comportamentos, conscientes ou não conscientes, que nos estão a impedir de realizar uma educação mais prática e eficaz?
Nos próximos meses irei publicar, tal como outros elementos da Equipa COE, um conjunto de artigos com sugestões metodológicas que, certamente, poderão ajudar muitos dos nossos leitores ou clientes a transformarem alguns dos seus paradigmas, crenças ou metodologias, permitindo-lhes encontrar outros caminhos no modo de “fazer educação” que sejam práticos e, simultaneamente, mais eficazes.
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Hummm. Essa palavra «prática» assusta muitas pessoas, com «boas» intenções. Por esse motivo não posso eticamente «ser kantiano» como muitas pessoas, até catedráticas, se definem. Daí a pertinência da questão de Damásio em letras garrafais no DN «para se estudar as pesonalidades de Hitler ou Estaline, quem melhor as estudaria, o racionalismo ou o empirismo?» A resposta é óbvia: o empirismo porque é era preciso «observar»,pelo menos para ler textos, etc. Os efeitos também contam, não apenas as intenções. O problema são mesmo as estratégias: métodos, materiais de apoio e depois fazer o que Popper recomenda. Que é: verificar se a teoria, o caminho, se adequa à realidade (a maneira de sentir, pensar e de estar dos alunos) explicando-a. A isto chama-se reflexividade em acto. Exemplo: muitos colegas meus de Filosofia andam um ano inteiro a dizer aos alunos para serem reflexivos e críticos mas…FORA das aulas deles. Por isso, não promovem debates argumentativos como os portugueses que estão no King’s College defendem e mostraram através de manuais. Também não aceitam «reclamações» dos alunos ouvindo e depois «discutindo» para melhorar as aulas (que são para alunos e não para paredes)porque os tratam, realmente como menores afectiva e intelectualmente. Esta posição arrogante é própria do racionalismo e do idealismo que ainda dominam a educação.Há aqui uma falha colossal de «respeito pelo outro», que está a crescer. Talvez seja por este motivo que muitos professores ainda dizem que «O 20 é para mim», ou seja, colocam-se na mesma escala, quando afinal já têm uma licenciatura…
O caminho é antropológico e ético: o modo como agimos é que realmente conta, não a retórica. Os «existencialistas» ainda têm razão: «o homem é acção» e como nenhuma acção é neutra, então qualquer acção transporta vaores, com efeitos em si e nos outros. Poderia escrever aqui, partilhar, uma experiência que tive e escrevi textualmente na Revista da Associação de Professores de Sintra como aceitei a realidade (70% negativas no 1º período a Filosofia) e a consegui transformar positivamente para os meus queridos alunos. Mas, seria longa, talvez arrogante e isso eu não pretendo.
Termino. O problema está em dois centros: nas Universidades «formadoras» de professores onde se ensina mas apenas teoricamente e APENAS alguma Didáctica, quando se ensina. O outro está nas pessoas-professores: por vezes são «autistas» às dificuldades dos alunos, próprio do racionalismo a que foram sujeitos na Universidade e a ele continuam apegados sem perceber o mal que fazem. Só acordam quando algo se passa com os seus próprios filhos «Aqui d’El-Rei..». Pois é, como explicou Hannah Arendt, o senso comum domina muito, dá menos trabalho, até para licenciados e doutorados…
Bom, desculpem a arrogância das minhas palavras e a extensão do texto.
Até breve.
Álvaro Batista