Só o título do artigo do “jornal-digital” põe-nos a pensar… Em que estado mental é que muitas pessoas se encontram?

Não se poderá inverter esta situação se os adultos, que contactam com crianças, estiverem mais informados e sensibilizados sobre a maneira mais adequada de lidar com elas?

O estudo apresentado, no dia 24 de Março de 2010, pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, revela que 22,9 % dos portugueses manifestam sintomas psíquicos que os colocam na categoria da perturbação mental. Vejamos, então, o seguinte:

As perturbações mentais correspondem a critérios de diagnósticos específicos mas excluem todos aqueles indivíduos que, embora não sendo completamente saudáveis mentalmente e não se encaixarem nestes critérios, por serem menos graves, não deixam de sofrer psicologicamente, manifestando comportamentos desadequados ou até mesmo prejudiciais para com os outros, ou contra eles próprios, e que pertencem, muito provavelmente, a uma percentagem ainda maior. Porquê? Porque não são facilmente quantificáveis, muito embora nos deparemos com eles no nosso dia-a-dia.

Parece que o próprio coordenador nacional para a saúde mental ficou surpreendido com os resultados do estudo. A mim, pessoalmente, não me surpreendem tendo em conta a forma como uma grande maioria de indivíduos lidam com as crianças e com os jovens. Nota-se, entre outros pontos essenciais, o baixo nível de auto-confiança e de auto-estima, a falta do sentido de responsabilidade que muitos adultos, actualmente, manifestam em funções de chefia entre outros que também requerem responsabilidade. Este sentido de responsabilidade não se obtém por decretos ou por obrigação na idade adulta, mas por o mesmo se ir desenvolvendo e adquirindo durante a infância.

Este estudo apresentado pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa sobre as perturbações mentais, traz-nos, uma vez mais, indícios acrescidos de que é necessário que os adultos, próximo das crianças, tenham de estar melhor informados, sensibilizados e formados sobre a forma de como se lidar com as mesmas (veja o que a COE propõe aos encarregados de educação sobre este tema que vai desde antes do nascimento, durante o desenvolvimento e até ao final da adolescência).

E mais ainda, é algo de indispensável a desenvolver nesta época de grande expansão dos meios de comunicação e de alta tecnologia, independentemente do estatuto social e financeiro em que as famílias se possam encontrar. Mesmo um indivíduo com cursos superiores, com algum sucesso financeiro e profissional – o que já não é nada mau –, pode estar a sofrer em silêncio pela infância que teve a nível de carências psicológicas e outros mal-estares. Hoje, numa época em que se tem muito mais conhecimentos que podem impedir a repetição de certos mal-estares inúteis da infância, há que repensar na forma de tratar as crianças a um nível psicológico saudável. Porém isto só se consegue se os adultos forem informados e melhor formados de como o fazer.

António Valentim

Psicólogo Clínico da COE

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