No seguimento do conteúdo publicado no ultimo artigo “Uma nova oportunidade para… a escola” lançamos esta reflexão:

Mas afinal qual é o papel que cabe a cada um dos intervenientes, ou seja: a escola e os encarregados de educação? A dispersão actual sobre esta temática educar/instruir é propícia à confusão de papéis. Cada vez mais parece que a escola é que tem que educar, é que tem que instruir, é que tem que ensinar a criança e o jovem. Os maioria dos pais apenas se acham no direito de “controlar” o trabalho da escola, mormente o dos professores, por exemplo: se o filho tem uma nota má a culpa é do professor, se o aluno se porta mal é porque o professor não sabe disciplinar, …. Com esta forma de pensar, acentuada nestas duas últimas décadas, como se pode ter a pretensão de se esperar futuros adultos competentes, suficientemente maduros, capazes de enfrentar os desafios da vida e serem responsáveis nos cargos vindouros que possam vir a exercer? Vamos tentar esclarecer esta confusão de papéis.

INSTRUÇÃO é da responsabilidade da Escola.

Instruir é formar a mente de alguém, desenvolvendo ou aperfeiçoando capacidades e atitudes, através da transmissão, da partilha, da pesquisa, do estudo, … por novos conhecimentos.

É “impossível” um professor, com 20 a 30 alunos em sala de aula, educar cada um deles. Cabe-lhe a função de instruir.

Uma das causas dos problemas de indisciplina, da falta de concentração, o não saber estar em sala de aula, a falta de respeito ao professor, … tem a ver com “falhas” na Educação.

EDUCAÇÃO é da responsabilidade dos Encarregados de Educação.

É fundamental a criação de Escolas de Pais, de Formações especializadas de qualidade para Encarregados de Educação, para se desenvolver mais competências parentais, pois ninguém nasceu preparado e formado para tal! Isso torna-se mais premente na nossa época de comunicação.

Uma criança que cresce sem ser educada pelos pais, por exemplo, revolta-se, fica indirectamente desiludida com eles. Esta revolta manifesta-se em vários comportamentos inadequados que desorienta ainda mais os pais. Quem também enfrenta estes comportamentos inoportunos das crianças são os “pobres” professores que têm que tentar ensinar, instruir, uma criança “deseducada”.

EDUCAR é ajudar um ser humano a desenvolver as suas competências intelectuais e físicas. Certo! Mas é, sobretudo, auxiliar a motivar, a incentivar um indivíduo a enfrentar os desafios da vida dento das regras e dos limites, que inclui também o saber estar na vida sem ser submisso. É apoiar a desenvolver todo o seu potencial humano durante cerca de 20 anos. Cabe aos encarregados de educação esta tarefa. Ao longo dos anos, os vários professores de uma criança/jovem podem apenas ter um mero contributo nesta árdua tarefa.

Uma Educação com gritos, ameaças, ridicularizações, humilhações, comparações, subornos (se fizeres isso dou-te aquilo) … não é saudável, nem é educar é, sim, repetir alguns modelos “errados” do passado. Então o que se pode fazer?

O Projecto Criar Outra Escola promove todo um conjunto de formações que vão neste sentido de auxiliar ou apoiar os Encarregados de Educação nas suas funções, como por exemplo, a realização do Curso “Como Educar uma Criança no Século XXI da responsabilidade de António Valentim, Psicólogo Clínico e colaborador do Projecto “Criar Outra Escola”.

Convidamo-lo a ler e a visualizar os próximos artigos e documentáriosdo novo “Programa Educação COE: Pais, como reagir?” que iremos publicar, previsivelmente, ao longo dos dois meses que se avizinham. 

António Valentim (Outros artigos publicados>>>)

Arlindo Martins (Outros artigos publicados >>>)